DIRIGINDO NO CANADÁ: TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER – PARTE II

A Immi Canada falou bastante sobre o trânsito no Canadá neste post publicado em novembro do ano passado. Lá, comentamos um pouco sobre como funciona a organização geral do trânsito em termos de pedestres, ciclistas, carros, ônibus e metrô.

Em Dirigindo no Canadá – Parte I e Parte II, vamos falar sobre tudo o que você precisa saber caso esteja pensando em dirigir no Canadá.

 

A carteira de habilitação

 

Em Dirigindo no Canadá – Parte I, falamos sobre as semelhanças e as diferenças existentes entre o Brasil e o Canadá no que diz respeito às regras de trânsito e comportamento dos motoristas.

Hoje vamos falar sobre a carteira de habilitação canadense, e para isso convidamos o nosso cliente Bruno de Araújo para falar um pouco sobre a experiência dele ao conquistar a driver’s licence.

O Bruno é casado com a Tálita Rodacki, que hoje faz parte da equipe da Immi Canada. Os dois conquistaram a residência permanente em maio do ano passado, e moram em Vancouver, BC.

 

Immi – Bruno, o que levou você a decidir fazer a sua driver’s licence aqui em BC?

Bruno – Eu trabalho perto de casa, então a princípio comprar um carro e fazer a driver’s licence não era uma prioridade quando me mudei para cá em fevereiro do ano passado. Foi na primeira viagem com o pessoal do estúdio onde trabalho que percebi o que eu estava perdendo por não ter um carro. Nós fomos de ônibus para Squamish, que fica a umas duas horas de Vancouver. Era verão, o céu estava azul, e as Montanhas Rochosas estavam lá com o seu inacreditável esplendor. Foi a coisa mais bonita que eu já vi na natureza, e foi nesse dia que eu percebi que eu precisava tirar a driver’s licence o quanto antes. Eu precisava ter a liberdade de dirigir ali, naquele lugar, e conhecer melhor a região. A região de BC é bonita demais para não ser explorada. E, claro, eu sempre gostei de dirigir.

 

Immi – BC tem mesmo muitas belezas para se visitar! Quem já tem carteira de habilitação do país de origem tem alguma vantagem nesse processo?

Bruno – Tem sim, mas tem regras diferentes para cada país. Tenho amigos franceses que tinham a carteira francesa e por isso não precisaram fazer os testes de direção. Já eu, que tinha carteira brasileira, tive que fazer tanto o teste teórico quanto o prático. Ter mais de 5 anos sem grandes incidentes na sua carteira de origem também ajuda muito: você pula uma etapa e vai direto para a chamada categoria 5 [que é equivalente à categoria B no Brasil]. Se não tiver essa experiência, você tem que tirar a carteira de aprendiz primeiro, e só pode dirigir se estiver acompanhado de alguém que tiver a driver’s licence completa.

 

Immi – Bem interessante. Foi preciso fazer algum teste ou exame médico?

Bruno – Não fiz nenhum exame médico. A única coisa que eles verificam é se você usa óculos de grau ou não. Tem um pequeno teste que é feito na hora do teste teórico em que você olha dentro de um aparelho e tem que ler algumas letras e identificar algumas cores e símbolos.

 

Immi – Sobre a prova escrita, você achou muito diferente da prova que fez no Brasil? Em que sentido?

Bruno – A prova escrita na verdade é feita em um computador com touch-screen, e todas as questões são de múltipla escolha. Não precisa marcar horário, é só chegar lá pelo menos meia hora antes de o expediente deles fechar. É bem diferente da prova do Brasil. Aqui, o teor da prova é bem mais focado em sinalização, e também em entender como as regras de trânsito funcionam por aqui. Você pode pular algumas questões se não tiver certeza da resposta, mas elas aparecem de novo no fim do teste, e você tem que responder. A prova não é necessariamente difícil, mas é preciso prestar bastante atenção às placas de sinalização, e é uma boa ideia praticar algumas vezes no site oficial da ICBC primeiro.

 

Immi – Bom saber que existe a possibilidade de treinar através de simulados assim. E sobre a prova prática, ou road test, quais diferenças você notou?

Bruno – O road test é muito parecido com o que eu fiz no Brasil. A grande diferença é que o carro do teste tem transmissão automática, como é muito comum por aqui. A prova pode variar bastante de pessoa para pessoa. A minha dica é ficar tranquilo e conversar com o instrutor caso você tenha qualquer dúvida. Afinal, ele está testando você, mas o mais importante é que você saiba como dirigir com segurança.

 

Immi – Você fez o road test com o seu próprio carro?

Bruno – Você pode fazer o road test com o seu próprio carro, isso é muito comum. O que geralmente o pessoal daqui faz é pedir para algum familiar ou amigo ir como acompanhante no road test, já que você não pode dirigir até lá sem ter uma carteira válida ou sem ter alguém acompanhando1. No meu caso foi um pouco mais complicado. Como o ICBC não abre para road tests nos finais de semana, e como eu preferi ir para Victoria (já que os locais perto de Vancouver só tinham disponibilidade para dali a 3 meses), não pude ser acompanhado por um amigo, pois ficaria muito fora de mão. A solução foi comprar um pacote em uma autoescola. O pacote inclui uma hora de aula, e o instutor te leva até o ICBC para o teste. Você também pode usar o carro da autoescola para o teste. O instrutor deu várias dicas que foram bem úteis na hora do road test, então no final valeu a pena pagar um pouco a mais.

 

Immi – Sobre essas dicas que o instrutor passou, tem alguma que você ache interessante mencionar para quem está pretendendo fazer o road test?

Bruno – Uma das principais coisas que os instrutores passam é sempre olhar os espelhos e fazer o que eles chamam de shoulder check, que é olhar por cima do ombro, para ter certeza de que todos os possíveis pontos cegos estão cobertos.

 

 

Immi – O que chamou mais a sua atenção na questão das provas ou sobre como foram conduzidas?

Bruno – Tudo foi muito tranquilo. Nada de ficar esperando horas para ser atendido no ICBC. Todo o processo correu bem suave, sem nenhuma dor de cabeça. Bem diferente das minhas experiência com o Detran no Brasil (risos).

 

Immi – Dirigir no Canadá é muito diferente de dirigir no Brasil? Em quais aspectos?

Bruno – O pessoal aqui dirige diferente. As leis de trânsito e a sinalização das vias são seguidas bem mais à risca do que no Brasil. A segurança dos motoristas, pedestres e ciclistas vem sempre em primeiro lugar. Tem bem mais respeito entre os motoristas também.

 

Immi – Estamos agora no inverno; você já chegou a dirigir na neve ou no gelo? Existe alguma preparação especial que o motorista precisa fazer para isso2?

Bruno – Aqui você tem que prestar atenção às sinalizações sobre qual jogo de pneus você deve usar. Os carros mais novos têm pneus especiais que podem rodar o ano inteiro, mas a maioria dos carros precisa ter os pneus trocados. Durante o inverno, você troca os pneus para pneus com maior tração, especiais para neve e pistas escorregadias. Isso é lei, e é levado muito a sério. Dirigir com os pneus errados pode ser extremamente perigoso. Além disso, tem que obedecer à risca o limite de velocidade. Se estiver muito rápido, pode não conseguir parar, e isso é bem perigoso. Eu cheguei a dirigir na neve e no gelo, e é uma experiência única. Atenção redobrada ao chamado black ice, que é uma camada fina de gelo na pista. Essa camada de gelo pode parecer inofensiva, mas ela torna o asfalto extremamente escorregadio.

 

Immi – Muitas pessoas quem vêm morar no Canadá desejam ter um carro, e seria interessante sabermos um pouco mais sobre as opções de financiamento e o processo de seguro, por exemplo. Você poderia nos contar um pouco sobre a sua experiência nesse sentido?

Bruno – Carros aqui no Canadá são bem mais baratos do que no Brasil. Em geral, um carro que no Brasil custaria em torno de 50 mil reais, aqui você encontra por aproximadamente 10 mil dólares, ou até menos. As dealerships têm diversas opções de financiamento, inclusive com opções sem juros. Ter seguro é obrigatório, e pode sair bem caro. Se você está planejando vir para cá e já tem carro no Brasil, não esqueça de trazer seus documentos do seguro, pois com eles você pode conseguir taxas de sgeuro bem mais em conta.

 

1 Uma vez realizada a prova teórica, a pessoa recebe uma licença provisória atestando a aprovação no teste teórico, e a partir daquele momento pode dirigir, desde que acompanhada por alguém que possua a driver’s licence completa.

2 Em algumas cidades onde tempestades de neve são comuns e o risco de engarrafamentos e acidentes nas pistas é grande, é recomendado que os motoristas tenham no carro durante o inverno um cobertor, uma muda de roupas, itens de higiene, água e comida, para o caso de precisarem passar a noite no carro até que a pista seja liberada novamente para o tráfego.

 

Para quem ainda está em dúvida, é possível sim dirigir com a carteira de habilitação brasileira, mas não por muito tempo. Em BC, por exemplo, o prazo é de 90 dias desde que a pessoa chega na província, sendo que após esse tempo é preciso fazer a driver’s licence da província. Também é assim em Ontário, Manitoba e Saskatchewan, lembrando que também é possível solicitar no país de origem a emissão de uma carteira de habilitação internacional (international driver’s permit). Isso é possível somente para quem pretende ficar no Canadá por mais de 3 meses mas não pretende morar por aqui; caso contrário, é necessário tirar uma driver’s licence da província.

Já no caso de Alberta, é possível utilizar a carteira de habilitação do país de origem por até 1 ano.

No caso de carteiras de habilitação que não sejam originalmente em inglês ou francês, é recomendado pelos órgãos provinciais que seja realizada a tradução do documento por um tradutor aprovado pelo órgão em questão.

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