Uber: uma alternativa de transporte viável?

Presente em 382 cidades ao redor do mundo, a Uber apresenta para o Canadá uma alternativa ao sistema tradicional de táxis das cidades, uma novidade que, ao que tudo indica, vem para ficar.

 

Com seu quartel-general na cidade norte-americana de San Francisco, na Califórnia, a empresa Uber Technologies Inc. oferece serviços de transporte que, em comparação com as empresas tradicionais de táxi, oferecem benefícios aos motoristas e aos passageiros. Através de um aplicativo, os consumidores podem enviar uma “chamada” , que então é redirecionada para os motoristas Uber, que dirigem seus próprios carros. Os motoristas, livres para dedicarem quanto tempo desejarem para essa atividade, não precisam se preocupar em receber dinheiro diretamente dos consumidores, já que o valor total da corrida é cobrado diretamente através do aplicativo, tendo o cliente fornecido seu cartão de crédito. Os motoristas recebem seu salário semanalmente.

 

O que faz o sistema Uber diferente dos sistemas convencionais de táxi é a forma única como os motoristas e os clientes participam desse novo tipo de empreendedorismo. Como um trabalho autônomo, os motoristas têm liberdade para planejar seus horários da maneira que desejarem, e, através do aplicativo, os clientes podem verificar com exatidão o tempo que será preciso esperar até que o motorista chegue para iniciar a corrida. O aplicativo, ainda, mostra ao cliente quem é o motorista, qual é o carro que está dirigindo, a placa do carro, e também a avaliação do motorista, de 1 a 5 estrelas, que é feita por usuários. Por sua vez, os motoristas também podem avaliar o cliente, contribuindo assim para o melhor desenvolvimento da indústria.

 

Com a possibilidade de que mais pessoas possam participar dessa oportunidade, como motoristas autônomos, o sistema ganhou popularidade pela qualidade dos seus serviços. Ainda há controvérsias, principalmente promovidas pela indústria de táxis tradicionais, a respeito da segurança e dos preços das corridas com o serviço que a Uber proporciona, mas a própria empresa fornece a segurança de que os passageiros precisam. Todos os motoristas, ao se inscrevem, passam por um background check, uma checagem de seus antecedentes criminais. Todos precisam ter seguro contra acidentes, e precisam demonstrar que possuem permissão para dirigir. Os carros, por sua vez, não podem ser mais velhos do que 10 anos contados em retrocesso a partir do momento presente. Além disso, o sistema de avaliação fornecido pelo aplicativo faz com que todos os clientes possam avaliar seus motoristas, contribuindo para a segurança dos próximos passageiros, que podem, com isso, ter uma melhor ideia a respeito daquela pessoa.

 

 

No Canadá, a Uber começou a operar em 2012, em Toronto, gerando controvérsias desde o início. Como resultado, Vancouver e Calgary fecharam as portas para a iniciativa, que ainda encontra obstáculos por superar, muito embora mais de 70% dos canadenses aprove a ideia de ter uma opção a mais de transporte, mais amigável, por assim dizer, em comparação aos táxis.

 

Segundo uma pesquisa realizada pelo Angus Reid Institute, a maioria dos canadenses não é a favor de banir os serviços da Uber, mas é a favor, no entanto, de que esses serviços sejam regulados, assim como são regulados os serviços dos táxis tradicionais. A questão da regulamentação, em parte provocada pelos taxistas das cidades onde a Uber é liberada, tem a ver com o fato de que motoristas Uber não estão sujeitos às mesmas taxas e leis a que os taxistas tradicionais estão, fazendo com que a competição, aos olhos destes, não seja leal. Defensores da Uber, em contrapartida, apontam para a qualidade dos serviços, a agilidade dos motoristas e a facilidade geral para chamada e pagamento (e também avaliação) oferecida pelo aplicativo como pontos essenciais, observando que a indústria tradicional de táxis parece não ter evoluído para incorporar tecnologias novas e também mudanças em seu público, em uma era em que a maior parte do sucesso das empresas depende da satisfação (e da comunicação dessa satisfação) de seus clientes.

 

 

Em BC, o ministro dos transportes Todd Stone declarou, em matéria publicada em janeiro no site de notícias CBC News, que é apenas uma questão de tempo para que a Uber chegue na província, sendo que, segundo o gerente geral da Uber Canada, Ian Black, cerca de 100.000 vancouverites fizeram o download do aplicativo, mostrando que muitas pessoas estão abertas a um novo meio de transporte na cidade. De acordo com a matéria, as principais questões que precisam ser endereçadas para que a Uber possa operar livremente em BC são: seguro contra acidentes, checagem de antecedentes criminais, acessibilidade para pessoas com deficiência e inspeções dos veículos.

 

De acordo com uma matéria publicada em dezembro do ano passado no jornal The Globe and Mail, a popularidade dos serviços da Uber, que conta com 20.000 motoristas somente no Canadá, reflete um fenômeno conhecido como gig economy, ou seja, o aumento da oferta de serviços por profissionais autônomos, serviços que podem ser contratados online. O ponto negativo de tudo isso é somente que, como autônomos, esses profissionais não contam com direitos e benefícios com que a maioria dos canadenses conta: salário mínimo, seguro empregatício e benefícios adicionais, como contribuições para o Canada Pension Plan, o plano governamental de aposentadoria.

 

As mudanças na economia e na forma como os consumidores se relacionam com produtos e serviços está acontecendo a todo vapor. É hora, portanto, como afirma o economista Thomas Kochan, de revisar e modificar as leis e a estrutura das relações tradicionais de emprego para acomodar as novidades.

 

Isso já está acontecendo em Edmonton, de acordo com uma matéria publicada em janeiro no site do jornal National Post. A cidade é a primeira a aprovar uma bylaw favorável à iniciativa Uber, que irá oferecer aos motoristas um seguro aprovado pela própria província de Alberta.

 

 

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