Em novembro nós falamos a respeito da importância do inglês para quem tem o Canadá como destino de viagem, estudos, trabalho ou mesmo imigração.

 

Todo mundo sabe que o Canadá é um país bilíngue: suas línguas oficiais são o inglês e o francês. Mas permanece a dúvida: quão importante é o francês para quem quer vir para o Canadá?

 

Para quem ainda não conhece muito a fundo a história do Canadá, o país foi colonizado efetivamente quando os britânicos e os franceses ocuparam o território que hoje é o Canadá, durante o século XVI. Como consequência de alguns acordos políticos referentes à divisão dos territórios, a região onde hoje é Quebec passou a ser dos franceses por direito, que contaram com a liberdade de inserir sua própria língua, que permanece por lá até hoje.

 

Sendo a maior província do país e contando com a segunda maior população por província no Canadá, Quebec é a única província do país que conta com uma população que fala predominantemente o idioma francês, sendo também a única província a ter somente o francês como idioma oficial (muito embora o Canadá em si possua duas línguas oficiais).

 

Por conta de suas diferenças culturais e de idioma, Québec conta com muitas pessoas que são partidárias da independência da província, sendo que o partido político mais forte da região realizou duas votações nas décadas de 80 e 90 a respeito do assunto. Embora a maioria dos cidadãos da província tenha votado contra a efetivação da medida, a Câmara dos Comuns reconheceu Quebec, em uma cerimônia simbólica em 2006, como “uma nação que pertence a um Canadá unido” (a nation within a united Canada). É também por esses motivos que Quebec apresenta tanta diferença em suas regras com relação ao restante do país, o que é fácil de perceber quando lemos textos que vão mais ou menos assim: No Canadá acontece tal e tal coisa (exceto em Quebec).

 

Na prática, a língua francesa está de certa forma presente em todo o país, seja em forma de empresas bilíngues, ou escolas que oferecem ensino bilíngue, e, no dia a dia dos canadenses, o francês está presente em praticamente todos os produtos disponíveis no mercado, com rótulos e bulas disponíveis quase sempre nas duas línguas.

 

 

Em todas as outras províncias e territórios do Canadá, o inglês é a primeira língua e, embora o país continue sendo bilíngue em teoria, na prática a grande maioria das pessoas – incluindo os próprios canadenses – fala apenas inglês.

 

Para fins de estudo e imigração, no entanto, nem sempre  é necessário ter conhecimento do francês, isto é, se você não pretender ir direto para Quebec. Quando você pretende estudar no Canadá, geralmente os testes de nivelamento do inglês ou do francês são definidos pela própria escola no que diz respeito às notas mínimas que o candidato precisa ter para poder ser aceito. Se o ensino será em inglês, o teste de proficiência deverá ser um teste de língua inglesa aceito pela escola. Nesse caso, não será necessário ter conhecimento do francês.

 

Para os programas de imigração, no entanto, o conhecimento do francês pode ser útil. Para o Express Entry, por exemplo, a proficiência em francês pode somar pontos adicionais na aplicação. Seria preciso ter uma nota equivalente ao CLB 5 (Niveax de compétence linguistique canadiens – NCLC 5) em todas as áreas de avaliação: leitura, escrita, compreensão verbal e fala.

 

Para quem é fluente em francês e tem pouco conhecimento de inglês, parte-se do mesmo princípio para fins de imigração: é preciso conseguir uma boa nota no teste de proficiência da língua em que se tem maior facilidade (lembrando que quanto melhor for a nota mais pontos o candidato pode ganhar), e a segunda língua, que no caso seria o inglês, pode vir a calhar caso o teste de proficiência resulte em uma nota equivalente ao CLB 5.

 

No entanto, embora o conhecimento da segunda língua oficial possa somar pontos, dificilmente isso fará uma grande diferença quando vemos a aplicação como um todo, já que existem vários outros fatores muito mais importantes na questão dos pontos, como, por exemplo, o nível educacional e a experiência de trabalho.

 

Falando em trabalho, no mundo globalizado em que vivemos saber falar idiomas adicionais pode ser uma vantagem para quem quer aumentar suas chances no mercado de trabalho!

 

Para turismo não existe nenhum requerimento quanto a saber ou não falar inglês ou francês. No entanto, ter conhecimento de uma dessas línguas pode ser muito útil para que a pessoa possa se comunicar durante a viagem, seja em restaurantes, em lojas, ou mesmo para pedir direções para chegar a algum ponto turístico. Nunca é demais lembrar que, fora de Quebec, o inglês é muito mais falado pelas pessoas do que o francês.

 

 

Diferenças regionais também podem ser percebidas com relativa facilidade quando se fala a língua local. Sabe como percebemos a diferença gigantesca que existe entre a maneira de falar de um baiano, um gaúcho e um português? Os sotaques também existem na língua francesa, o que faz com que o idioma seja mais fácil ou mais difícil de se apreender. O francês pode soar muito diferente quando se ouve um parisiense, um haitiano e um quebecois falando.

 

A linguagem é uma das marcas mais importantes de uma determinada cultura, sendo mesmo a expressão da identidade da região ou do país. É por isso que, para algumas pessoas, saber falar um pouco da linguagem do local que se está visitando é essencial para poder apreender um pouco melhor a cultura do local e o modo de vida das pessoas, o que pode fazer com que a viagem seja muito melhor aproveitada.

 

 

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