Pronto, a família chega ao Canadá, faz a matrícula dos filhos gratuitamente na escola na região da sua casa e pronto, tudo resolvido. Calma, o processo está só começando. Claro que, até aí, a parte mais complicada e burocrática já passou para os pais, mas para os filhos esta é só a primeira parte do processo (para saber mais sobre as escolas públicas clique aqui).

A maior preocupação dos pais é com relação a adaptação das crianças ou adolescentes ao novo mundo de possibilidades e desafios. São outros costumes e outra cultura, uma nova língua, novos amigos e uma maneira diferente de estabelecer relacionamentos.

Crianças

O que mais incomoda os pais geralmente é a menor preocupação das crianças: a língua. Após os primeiros meses de estudo os pequenos costumam estar com o inglês mais afiado do que os adultos, devido à facilidade de introdução de uma nova língua quando a criança tem entre dois e dez anos. Esse período pode variar de acordo com cada estudioso da área, mas todos concordam que, quando a fase da adolescência chega, com ela vem a vergonha e o medo de errar perante aos amigos, por isso que pedagogos aconselham que quanto mais cedo, mais fácil será para os pequenos.

Ivana Montanini veio com seu marido e filho para o Canadá há nove meses. O filho Samuel tem 6 anos e entrou no First Grade, equivalente a primeira série no Brasil, de uma escola perto de onde a família mora. Ela conta que o maior problema foi a saudade do colégio e dos amigos do Brasil. “Ele era o único brasileiro lá, então logo nos primeiros dias acalmamos ele, falando que poderia se comunicar por mímica, caso não conseguisse pedir ou falar algo”, relata a mãe.

escola canadense

Porém o cenário mudou rapidamente. Segundo ela, Samuel levou menos tempo do que o esperado para se adaptar. “Depois de quatro meses frequentando a escola e sem que percebêssemos, ele já estava falando inglês com os amigos e nos corrigindo em casa. Hoje, após quase nove meses, o Samuel entende tudo o que a professora fala, lê alguns livros em inglês, escreve e se comunica como se já estivesse aqui há muito tempo”.

Adolescentes

Fabia Rodrigues veio para o Canadá com o marido e seus dois filhos: Fernanda de 18 anos e Fábio, 12 anos. Ela conta que, como a filha estudava em uma escola bilíngue no Brasil, a adaptação com relação ao inglês foi mais fácil para Fernanda, mas que todas as instituições estão bem preparadas para receber imigrantes. “Todas as escolas possuem inglês como reforço para imigrantes. Quando o aluno chega, ele passa por uma espécie de nivelamento para verificar a questão da língua e eles fazem uma análise do histórico escolar anterior para verificar a equivalência do aluno no Canadá”, conta a mãe (para saber mais a respeito do sistema de ensino clique aqui).

As instituições de ensino no Canadá diferem do Brasil em vários aspectos, mas talvez o principal seja com relação ao desenvolvimento do pensamento crítico e senso de cidadania de cada um. Enquanto no Brasil as escolas são mais didáticas e preparam o aluno para o vestibular, o ensino no país de primeiro mundo é direcionado a escolha de uma profissão que se adeque as habilidades e gostos de cada um e a construção de uma sociedade igualitária, na medida do possível.

Para ilustrar, Fabia conta como funcionam as atividades dos filhos. “A escola tem várias atividades extracurriculares, como os esportes. Em cada estação do ano tem testes para os times. O meu filho entrou no time de futebol da escola, por exemplo, pelo processo que eles chamam de trial”, explica. Os testes acontecem cerca de 60 dias antes de começar cada estação e todos os alunos podem se candidatar, de acordo com o ano que frequentam e a modalidade esportiva oferecida para a idade.

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Além do futebol, as instituições oferecem a prática de vôlei, música, artes, dança, moda, biologia, dentre outros. Um grupo bastante disputado entre os alunos é o de Cheerleader, ou líder de torcida. Fabia ressalta que um ponto curioso é que este grupo é bastante democrático e, ao contrário do que é mostrado nos filmes, não existe um padrão de corpo, beleza ou língua para participar. “A minha filha faz parte da equipe no colégio e isso foi essencial para a interação e adaptação dela. Os times participam de competições regionais e até mesmo internacionais, contra os Estados Unidos, por exemplo”.

Para bancar os custos quando os alunos viajam para disputar os campeonatos, existem duas opções: para os alunos que possuem recursos, os pais arcam com o valor do deslocamento e despesas e, para os que não podem pagar, a escola mesmo organiza atividades nas quais os próprios estudantes podem arrecadar dinheiro. “Eles planejam sorteios, venda de rifas e até trabalhos na comunidade, como retirada de neve, jardinagem e coleta de folhas no outono, dentre outras”, conta a mãe dos adolescentes.

Com relação a grade escolar, o sistema canadense funciona por créditos e não por notas, então conforme os alunos vão avançando, ganham créditos. Na high school, que é o equivalente ao ensino médio brasileiro, eles tem de escolher as matérias optativas de acordo com a área que pretendem seguir na universidade (para saber mais como funciona o ensino superior no Canadá, acesse o link https://www.immi-canada.com/ensino-superior-no-canada/). Por exemplo, caso o aluno opte por cursar física em Harvard, ele terá que fazer determinadas matérias no high school e ter os créditos mínimos exigidos pela universidade para ser aceito.

O período de estudo é integral e varia dependendo da escola, mas geralmente começa entre 7h30 e 9h e vai até cerca de 15h30. “Aqui o aluno é avaliado de maneira diferente. Além disso existem vários tutores na escola, que também são professores e que sabem da vida de cada estudante pelo qual é responsável. O sistema também é muito claro e baseado em diálogo constante com o aluno. Caso haja algum problema, a escola toma partido e faz o melhor possível para resolver”, declara Fabia.

Há também um incentivo da instituição para atividades extra classe criadas pela escola, como clubes para os alunos interessados em jogar ping-pong, xadrez, histórias em quadrinhos, dentre outros. É importante frisar que o sistema de ensino é federal, mas cada província estabelece suas regras específicas para filhos de imigrantes. Além disso, cada escola pode estabelecer regras específicas, como por exemplo a proibição total do uso de celular no ambiente de ensino.

Fabíola Cottet 

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