Milhares são as razões que fazem com que os brasileiros se apaixonem pelo Canadá: qualidade de vida, saúde, segurança, nível de educação, menos desigualdade social, menos corrupção, salários mais justos, um salário mínimo atrativo, belezas naturais, fronteira com os Estados Unidos, infraestrutura, limpeza pública, liberdade, igualdade de gêneros, dentre muitos outros. E claro, o Canadá é um país maravilhoso, multicultural e que tem diversos programas de imigração.

Mas então o Canadá é o paraíso? Não. Embora muitos pensem que é o mais perto dele que a humanidade consegue chegar, existem sim pontos negativos que devem ser levados em consideração. Quando começamos a traçar os planos rumo às terras canadenses, é importantíssimo pesquisar os lados negativos, antes até do que os pontos positivos. Pelo simples motivo que você vai saber exatamente o que irá enfrentar, sem surpresas ou grandes imprevistos.

Abaixo preparamos uma lista com 10 itens que podem fazer você desistir do sonho canadense, ou os desafios que quase todo o imigrante enfrenta ao chegar em qualquer novo país.

1 – Clima

Bem diferente do Brasil, o True North se caracteriza pelas quatro estações muito bem definidas, na maioria das cidades, e por um inverno infinitamente mais rigoroso do que estamos acostumados. O país tem uma média de temperaturas de -18o C no inverno, sendo o verão com os termômetros em 20o C na média. Mas lembre-se que isto não é regra. Não raro o inverno apresenta cerca de -45o C em cidades mais ao Norte e o verão chega a 43o em lugares como Toronto, por exemplo.

E não é somente a temperatura que pode ser um empecilho, mas tudo o que ela pode trazer. Pelo inverno rigoroso, existem diversas roupas e detalhes que não estamos acostumados a nos preocupar, como por exemplo botas de neve, meias térmicas, roupas térmicas no geral, luvas, acessórios e, caso você tenha um carro, líquido para não congelar o para-brisa, pneus para a neve, dentre outros apetrechos usados. A estação mais fria do ano também tem suas infinitas belezas e atividades, mas lembre-se: é uma questão para se colocar no planejamento.

2 – Idioma

Por mais que seu inglês e/ou francês seja fluente, ele nunca será a sua língua materna. E acreditem, pensar, falar e raciocinar em outra língua durante o dia todo cansa. E não, o problema não é exclusivamente seu. O Canadá é um país de imigrantes, portanto na imensa maioria das situações o seu nível de inglês ou francês não precisa ser perfeito. Mas, principalmente no começo, a insegurança pode atrapalhar e não só ela, mas a própria dificuldade de se expressar. O nosso vocabulário no idioma demora muito para chegar ao nível de um nativo da língua inglesa ou francesa, então acabamos falando bem mais para tentar explicar coisas simples, o que termina causando um cansaço mental. Porém, não desanime! Com o tempo o inglês se torna algo mais confortável e natural.

3 – Adaptação

Mudanças sempre demandam calma, organização, planejamento, persistência e adaptação. Lembre-se que aqui você não sabe onde é o mercado mais próximo, não conhece o nome dos remédios para uma simples dor de cabeça ou garganta, não encontra coisas e produtos com os quais era familiarizado no Brasil, os horários são diferentes, a vida é diferente.

O trânsito tem outras regras, a saúde tem outro sistema, o contato com outras pessoas é de maneira diferente, enfim, tudo é novo. Portanto o melhor conselho aqui é: fique calmo e dê tempo ao tempo. Aproveite estes pequenos detalhes para conhecer mais da região onde pretende morar e explorar a diversidade cultural canadense.

4 – Saudades da família e amigos

Por mais que muitos não acreditem que sentirão falta, este é um ponto que faz com que muitas pessoas desistam. “Ah, mas eu moro em São Paulo e minha família mora no Rio Grande do Sul”. Não é a mesma coisa e nunca vai ser. No Brasil, de um dia para o outro, ou até no mesmo dia, você consegue pegar um avião e estar perto dos seus entes queridos, caso precise ou queira, sem muito planejamento e sem grandes gastos. Quando a distância inclui fuso horário, cerca de 8,5 mil quilômetros de distância e várias pontes aéreas, é bem mais complicado.

Por mais que a tecnologia ajude muito nesta parte, a saudade vai apertar. Sua família e amigos brasileiros não estarão por perto no seu aniversário e o Natal não será na casa da sua avó com a tradicional ceia. Aqui não há remédio e nem tranquilizante, o sentimento vai chegar, temos somente que saber como lidar com ele e pensar em tudo de bom que nos levou ao Canadá.

5 – Empregos

Talvez você não encontre emprego na primeira semana, nem na segunda e nem nos primeiros dois ou três meses. Isso se dá por diversos fatores: quantidade de vagas, mercado de trabalho da sua profissão na cidade que você escolheu, proficiência no idioma, falta de experiência canadense, demanda, concorrência, e enfim, uma série de outros fatores.

Muitas vezes o profissional precisa começar em outra área de atuação que não é a sua, ou até mesmo nos chamados “entry level jobs” ou empregos de entrada, para ganhar alguma experiência e conseguir, aos poucos, entrar no mercado de trabalho da área em que atua. Não esqueça que, caso a sua profissão seja regulamentada no Canadá o caminho é um pouco mais longo pois, para exercer a atividade, precisará passar pela regulamentação no país.

Para saber mais sobre os desafios do mercado de trabalho canadense clique aqui e também acesse o link: https://www.immi-canada.com/saiba-mais-mercado-de-trabalho-no-canada/.

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6 – Serviços

Não, não é que por aqui faltem profissionais para serviços básicos. Eles existem e aos montes. A diferença está mesmo na questão da igualdade social. Serviços como os de uma empregada, diarista, babá, faxineira, manicure, cabeleireira, costureira, ou os de pedreiro, eletricista, encanador, pintor e jardineiro custam uma bela fatia do orçamento mensal, dependendo da frequência, pois são trabalhos valorizados igual ou até mesmo mais que outros. Portanto, ter empregada ou diarista é algo extremamente raro no Canadá e não somente entre os imigrantes, é uma característica geral.

Além disso, os serviços são diferentes, nem melhores e nem piores, apenas diferentes do que estamos acostumados no Brasil. Além da maioria dos profissionais receber por hora, manicures e cabeleireiros, por exemplo, tem um modo de trabalhar adaptado ao que o povo do país exige. Então não espere cutículas impecáveis ou luzes e hidratação no cabelo da mesma maneira que tinha no Brasil.

7 – Sistema de saúde

O sistema de saúde canadense é público para todos os cidadãos e residentes do país, salvo especialidades, (algumas províncias também dão direito a estudantes, veja mais informações clicando aqui), mas ele é diferente do brasileiro.

A principal diferença é que,  caso você esteja com dor no ouvido, não pode marcar um otorrino e ir diretamente no especialista. Primeiro você deve passar por um médico de família (veja como encontrar um no link: https://www.immi-canada.com/saude-no-canada-encontrar-family-doctor/), que irá determinar se te encaminha para a especialidade ou não e se você deve fazer exames. Claro que, caso você esteja realmente mal por qualquer motivo, será bem atendido nos hospitais do país, mas se você for até um com dor de cabeça, por exemplo, pode ficar lá durante horas esperando uma consulta. Sempre que precisar de um médico sem muita urgência, vá ao Family Doctor ou em uma walk in clinic, que é uma espécie de consultório para atender às necessidades da população.

8 – Recomeço

Não devemos esquecer que, no início, não temos nenhum tipo de histórico no Canadá. Então procedimentos como abrir uma conta bancária com algum limite de crédito, ter um cartão de crédito, contratar um plano de celular pós-pago, voltar a estudar, alugar um imóvel, ou comprar qualquer coisa que exija uma consulta ao seu credit score, são processos que exigem um pouco mais de paciência e tempo. Muitas vezes os imigrantes precisam pagar alugueis adiantados ou deixar um valor de segurança no banco por um período para ter acesso ao crédito.

Isso também entra na questão dos empregos, família e amigos. É mais difícil não possuir nenhuma referência canadense ou não ter um amigo para ajudar no caso de alguma necessidade. É necessário ter a mente aberta aos novos amigos por fazer, aos novos costumes e ao estilo de vida canadense.

9 – Finanças

O dinheiro é uma das razões que mais fazem as pessoas desistir do sonho canadense, mas isso não deveria acontecer. Obviamente que imigrar exige um bom planejamento financeiro e uma reserva de fundos, mas nada impede de esperar um pouco para guardar mais dinheiro ou ter um patrocinador.

Após a etapa de gastos com vistos, college e processos, vem o custo de vida (para ver uma média nas principais cidades do Canadá, acesse: https://www.immi-canada.com/custo-de-vida-no-canada-principais-cidades/). Até o primeiro emprego e a entrada de valores na moeda do país, os valores são altos devido ao real ser uma moeda franca frente ao dólar canadense.

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10 – Comida

Sim, este fator, aliado com algum outro ponto, já fez pessoas desistirem. Não pelo fato de que aqui não existem os alimentos com os quais estamos familiarizados no Brasil, mas pela maneira de se alimentar da população. Enquanto no nosso país o acesso a produtos vegetais e naturais é mais em conta, no Canadá o fast food e as comidas prontas pesam bem menos no orçamento.

Além disso, a maneira de se alimentar é diferente. O café da manhã costuma ser uma refeição bem mais substanciosa, o almoço é um lanche ou algo pronto para se comer rápido e o jantar é realizado mais cedo, por volta das 18h, com lanche ou outra refeição.

Sabemos que a nova vida vem recheada de desafios e também muitas conquistas. Então a melhor saída é munir-se de informações, estar aberto à novas experiências e aprender a amar o Canadá, mesmo com seus “pontos negativos” ou costumes diferentes. A qualidade de vida compensa!

Fabíola Cottet

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