Embora o mercado cinematográfico ainda seja pouco expressivo no Brasil, se compararmos com países como Estados Unidos, por exemplo, no Canadá a área vem ganhando cada vez mais destaque com o passar dos anos. Prova disso é que diversos filmes e seriados são produzidos e filmados em terras canadenses, como Supernatural, Once Upon a Time, Reign, Orphan Black, Bates Motel, Suits, Fifth Shades of Gray, Juno, Godzilla, Men of Steel, dentre muitos outros.

O motivo, além de profissionais qualificados e uma boa infraestrutura, é o custo reduzido se comparado a Hollywood e a facilidade que as maiores cidades canadenses, como Vancouver, Montreal e Toronto, tem quando precisam se passar por Nova York ou Los Angeles, por exemplo. Somente pelas produções nestas três cidades, o Canadá ficou conhecido como a Hollywood North.

Vancouver é o grande pólo e é responsável por 60% de toda a produção canadense, empregando cerca de 36 mil pessoas e injetando 2 bilhões de dólares na economia.  Erika Thoen está no Canadá há um ano e seis meses, na cidade de Toronto, e está em seu segundo curso na área. Ela concluiu o programa Advanced TV and Film: Script to Screen e no momento cursa TV and Filme Business, ambos na Centennial College.

Erika conta que ainda não está trabalhando de fato na área, devido aos horários do curso, mas tem feito vários trabalhos voluntários em set de gravações de estudantes e em festivais de cinema. Durante o primeiro curso, ela também prestou serviços para a universidade, na sala de equipamentos.

mercado cinematografico

Posso dizer que tudo é diferente mas me adaptei muito fácil. É demais ver como as pessoas respeitam nosso espaço, são educadas e o feedback é constante. Uma coisa que estranhei é a maneira de passar as tarefas. Eles ensinam uma vez e pronto, ai temos que nos virar. Mas o mais maravilhoso é ser elogiado sempre. Mesmo antes de uma crítica vem um elogio. Isso faz a gente querer acertar sempre e melhorar também, eu acho. Outra coisa é a educação e o respeito. Todos sempre muito educados quando se pede uma coisa ou quando vai dar um feedback. E por fim, e o mais importante, é o assédio que sofria quase diariamente no Brasil. Na rua, no trabalho, assédio moral e sexual. Aqui isso é levado muito a sério e com todos esses escândalos de Hollywood, as mulheres na indústria canadense estão se unindo ainda mais e as oportunidades estão se abrindo como nunca”, conta ela.

Para o futuro, Erika pretende trabalhar em sets de gravação e em festivais de cinema. Com relação ao mercado, ela é otimista. “A indústria de cinema aqui no Canadá está crescendo muito. Vejo muitas ofertas de vagas em sites e páginas do Facebook. Com o anúncio do investimento da Netflix no mercado cinematográfico canadense, acredito que as ofertas só aumentem. E sempre tem as produções americanas vindo filmar por aqui também”, comemora a profissional.

Dificuldades gerais do mercado de trabalho

O que se deve levar em consideração, quando se pesquisa a imigração para o Canadá, é a área de atuação do candidato e o mercado de trabalho. Conseguir um bom emprego não é tarefa fácil mesmo no Brasil. Quando estamos em um país desconhecido nosso, com outra cultura, outras empresas, uma nova língua e diferentes costumes, estas dificuldades são maiores, pois não é somente o trabalho, e sim todo o cenário que envolve.

O censo de 2016, divulgado pelo Statistics Canada,  revelou que há 5,9 milhões de pessoas com mais de 65 anos no país, superando o contingente de crianças e jovens de 0 a 14 anos, que são 5,8 milhões. E a tendência é que a situação se intensifique. Esse é um dos principais motivos da busca canadense por profissionais qualificados em diversas áreas, porém não se engane, o caminho exige muita pesquisa, fluência na língua (inglês ou francês), qualificações e recursos financeiros.

Chegando no país os brasileiros são desconhecidos e não possuem um histórico canadense, tanto na questão financeira como na profissional. O que geralmente ocorre é que a busca por um emprego na área pode ser mais demorada do que o candidato imagina e, por vezes, a vaga não será no mesmo nível hierárquico.

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Porém, para Erika, não existem grandes barreiras. “Não vejo nenhum tipo de dificuldade para os imigrantes, pelo contrário, aqui a recepção é maravilhosa! Ninguém te julga ou te corrige se fala um pouco errado ou com sotaque. Se tiver vontade de trabalhar nunca vai faltar vaga. Aqui, assim como no Brasil, pra trabalhar na indústria, tem que conhecer pessoas para poder ser indicado para projetos. Não é vergonha dizer que arrumou trabalho por indicação porque é assim mesmo que funciona”, relata a imigrante, que trabalhava como continuísta em uma grande emissora brasileira antes de ir para o Canadá.

No campo cinematográfico, ela explica que “para trabalhar na indústria tem que entrar para os sindicatos especializados. Aqui as Unions (como eles chamam) são muito fortes e ajudam na construção da carreira. Mas para conseguir entrar para o sindicato, tem que ser canadense ou ter a residência permanente. Enquanto só tivermos a permissão de trabalho, podemos trabalhar em projetos que não são sindicalizados. A diferença é que o valor recebido pelo trabalho, nestes casos, é menor. Sugiro que os interessados comecem a trabalhar como voluntário em curtas de estudantes para fazer contatos. A partir daí com certeza trabalhos pagos vão aparecer”, conclui Erika.

Confira informações sobre o Festival de Cinema Brasileiro em Toronto neste link www.immi-canada.com/10-anos-de-festival-de-cinema-brasileiro-em-toronto/.

Imigrando como um profissional da área: www.immi-canada.com/19747-2/.

Fabíola Cottet

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